UMA ROTINA PARA TODAS AS GRÁVIDAS
PREVENÇÃO DO ABORTO ESPONTÂNEO E PARTO PREMATURO
Diversos trabalhos (1,2,3,4,5) ressaltam a importância da dosagem de anticorpos Anti-TPO em todas as grávidas, no primeiro trimestre.
Estudando 87 grávidas (1) com anticorpos elevados, embora inicialmente com T4 Livre e TSH normais, no final da gravidez estavam com 40% dos TSH, embora normais, os valores estavam próximos ao limite superior. Sendo que, 30% dos T4 Livre estavam abaixo da média, sendo que a metade deles em níveis de hipotireoidismo.
PREVENÇÃO DO ABORTO ESPONTÂNEO
A elevação dos anticorpos
trazem claro risco de hipotireoidismo, aborto espontâneo e parto
prematuro.
O autor (1) sugere uma avaliação sistemática dos anticorpos anti-tiroidianos no início da gravidez, por causa dos problemas obstétricos que são facilmente resolvidos com uso de hormônio tireoidiano .
Todos os trabalhos (1,2,3,4,5) tratam do risco de aborto espontâneo quando os anticorpos anti-tiroidianos estão elevados.
O risco de aborto espontâneo se eleva até 4 vezes na presença da autoimunidade tireoidiana
Estes anticorpos são ótimos marcadores ao ginecologista porque, estando elevados, são indicativos de mau prognóstico obstétrico.
Estas alterações tireoidianas explicam alto índice de perda fetal nestas clientes e, como dissemos, são de fácil prevenção.
Autores (2) demonstram que em 6 de 17 pacientes com anticorpos anti-tireoidianos positivos que abortaram, todas tinham TSH no limite superior da normalidade
Nem sempre o TSH está elevado naquele momento.
Como a maioria dos abortos ocorrem no primeiro trimestre, nesta época o nível de TSH nem sempre é discriminativo, porém o tratamento precoce é quando há elevação do TPO e vai mudar o prognóstico desta gravidez.
O hipotireoidismo ainda que moderado, vai se evidenciando no decorrer da gestação, quando o nível de TSH vai se elevando e o T4 Livre vai decaindo.
A determinação dos níveis de anticorpos anti-tiroidianos deve ser uma rotina em todas as grávidas. A positividade atinge até 14% da grávidas, o que justifica sua determinação sistemática.
Ref. Bibliográficas :
1) Glinoer D, Riahi M, Grun JP, Kinthaert J: Risk of subclinical hypothyroidism
in pregnant women with asymptomatic autoimmune thyroid disorders. J Clin
Endocrinol Metab 1994; 79:197-204.
2) Stagnaro-Green A, Roman H, Cobin H, El Harazy E, Alvarez-Marfany
M, Davies TF: Detection of at-risk pregnancy by means of highly sensitive
assays for thyroid autoantibodies. JAMA 1990; 264:1422-25.
3) Glinoer D, Fernandez Soto ML, Bourdoux P, Lejeune B, Delange F,
Lemone M, Kinthaert J, Robyn C, Grun JP, De Nayer P: Pregnancy in patients
with mild thyroidal abnormalities: maternal and neonatal repercussions.
J Clin Endocrinol Metab 1991;73:421-27.
4) Lejeune B, Grun JP, De Nayer P, Servais G, Glinoer D: Antithyroid
antibodies underlying thyroid abnormalities and miscarriage or pregnancy-induced
hypertension. Br J Obstet Gynaecol 1993;100:669-72.
5) Pratt DE, Kaberkein G, Dudkiewicz A, Gleicher N: The association
of antithyroid antibodies in euthyroid nonpregnant women with recurrent
first trimester abortions in the next pregnancy. Fertil Steril 1993:60:1001-05.