LogoLHP

Marcadores Tumorais

USO CLÍNICO

Os chamados marcadores tumorais (MT) são substâncias utilizadas como indicadores de malignidade. Na maioria dos casos, são produtos normais do metabolismo celular que apresentam aumento de produção devido à transformação maligna.
Os MT têm auxiliado a clínica nas seguintes situações:

  1. Triagem em casos específicos, como em grupos de alto risco, associado a exames complementares;
  2. Diagnóstico diferencial;
  3. Avaliação de prognóstico;
  4. Monitoração de tratamento:

Os MT conhecidos até hoje não são sensíveis o suficiente para serem usados em triagem populacional ou para o estabelecimento de diagnóstico primário de câncer.


CA 15-3

É o MT por excelência do câncer de mama, é o mais sensível e específico sendo superior ao CEA (Antígeno Carcinoembrionário).

O valor de referência é de 30 U/ml.

A sensibilidade varia de acordo com a massa tumoral e estadiamento clínico, sendo de 88% a 96% na doença disseminada (10).

Na fase inicial, apenas 23% dos casos apresentam aumento (8). A grande utilização do CA 15-3 é para o diagnóstico precoce de recidiva, precedendo os sinais clínicos em até 13 meses (9). Recomenda-se a realização de dosagens seriadas de CA 15-3:

A elevação >25% a partir do nível sérico pós-tratamento, indica em 84% dos casos progressão da doença, enquanto a diminuição de pelo menos 50% é observada em 76% dos casos com regressão tumoral comprovada. Variações inferiores a 25% estão presentes na estabilização da doença (8). Em relação ao prognóstico, pacientes com valores pré-operatórios >40 U/ml têm uma probabilidade de 77% de recidiva em 5 anos (12). Apenas 1,3% da população sadia tem CA 15-3 elevado (5). Não há alteração significativa na gravidez ou durante o ciclo menstrual (4). Valores alterados podem ocorrer no câncer de pâncreas, pulmão, fígado, ovário e colo uterino ou, mais raramente, em doenças benignas de mama e hepatopatias.


MCA

O "Mucin-like Carcinoma associated Antigen" - MCA - é também utilizado como MT para o câncer de mama. Tem boa correlação com o CA 15-3, sendo util na avaliação prognóstica e controle terapêutico.

O valor de referência é de 14 U/ml.

Não deve ser usado no diagnóstico de doença locorregional (11). A sensibilidade do MCA é inferior a do CA15-3, sendo de 60% nos casos de doença metastática. Tem boa especificidade, chegando a 87% em alguns estudos (13). Entretanto pode elevar-se discretamente em cerca de 15% dos casos de doenças benignas de mama, porém em concentração inferior aos valores observados nos casos de câncer. Os níveis séricos de MCA elevam-se na gestação, principalmente no terceiro trimestre, em tumores de ovário, colo uterino, endométrio e próstata.


CA 125

O CA 125 é o MT utilizado principalmente como para câncer de ovário, sendo também útil para câncer de endométrio e endometriose.

O valor de referência é de 35 U/ml na maioria dos trabalhos científicos, podendo ser considerado 65 U/ml quando o objetivo é uma maior especificidade.

A sensibilidade para o diagnóstico de câncer de ovário é de 80 a 85% no tipo epitelial variando de acordo com o estadiamento, sendo de 50% no estádio I, 90% no estádio II, 92% e 94% nos estádios III e IV, respectivamente (14).

As principais indicações do CA 125 são:

Muitos estudos têm sido realizados no sentido de utilizar o Ca 125 juntamente com exame pélvico e ultrassonográfico em triagem populacional de câncer de ovário, com boas perspectivas, dada a grande especificidade (15, 16).

O CA 125 pode ser utilizado no seguimento de outras patologias ginecológicas:

a) Endometriose: o grau de elevação do CA 125 varia com a severidade da doença, sendo a positividade de 8%, 19,6%, 44,7% e 86,7% nos estádios I, II, III e IV, respectivamente (14). Os níveis séricos correlacionam-se com o curso clínico da doença, havendo queda significativa após tratamento clínico ou cirúrgico.

b) Câncer de endométrio: há aumento de CA 125 em 22,4% dos casos nos estádios I e II e em 81,8%, nos estádios III e IV (14). A elevação pré-operatória é indicativa de acometimento extra-uterino em 95% dos casos, isto é, pode ser usado como indicador de malignidade em adição aos fatores de risco clássicos: tipo histológico, diferenciação do tumor, invasão miométrio e invasão vascular.

Valores elevados de CA 125 podem ser observados em cerca de 20% das gestantes, predominantemente no primeiro trimestre de gestação (5). Há elevação dos níveis de CA 125 durante o período menstrual, porém só raramente ultrapassam os valores de referência. Tumores de pâncreas, estômago, fígado, cólon, reto, mama e pulmão, teratomas ou cirrose hepática podem elevar o CA 125.


CA 19-9

É indicado como MT do trato gastrointestinal: em câncer de pâncreas e trato biliar como primeira escolha e no colorretal como segunda escolha. O CA 19-9 é um carboidrato relacionado ao grupo sanguíneo Lewis. Cerca de 5% da população é Le (a-b-), ou seja, incapaz de expressar CA 19-9.

O valor de referência é até 37 U/ml.

A sensibilidade é variável com a localização do tumor: pâncreas 70-94%, vesícula biliar 60-79%, hepatocelular 30-50%, gástrico 40-60% e colorretal 30-40%. Em menor frequência também positiva-se em câncer de mama, de pulmão e de cabeça e pescoço. Algumas doenças como cirrose hepática, pancreatite, doença inflamatória intestinal e doenças autoimunes podem elevar o CA 19-9, sem ultrapassar 120 U/ml. Entre doadores de sangue 99% tem CA 19-9 inferior a 37 U/ml. No câncer de pâncreas, o CA 19-9 tem especificidade de 81-94%. É útil no diagnóstico diferencial, avaliação prognóstica e monitoração terapêutica. Diagnóstico diferencial entre câncer de pâncreas e pancreatite: há aumento de CA 19-9 em cerca de 90% dos casos de câncer de pâncreas enquanto nas pancreatites crônicas de 4-10% e nas pancreatites agudas, 23% (24,26). Valores superiores a 120 U/ml são encontrados em 73% dos casos de câncer de pâncreas e apenas em 6% das pancreatites (27). Em estudo comparativo entre CA 19-9, ultrassonografia e tomografia computadorizada considerando-se resultados corretos versus resultados incorretos ou inconclusivos não há diferença estatística entre eles, sobressaindo-se apenas a biópsia por agulha fina guiada por tomografia computadorizada (22). Prognóstico: boa correlação com o estadiamento,sendo que 87% dos Ca irressecáveis têm CA 19-9 >370 U/ml e 35%, >1000 U/ml (1). Monitoração terapêutica: deve ser realizado seriadamente após tratamento cirurgico; em recidiva, eleva-se até 6 meses antes da presença de achados clínicos ou a tomografia computadorizada (2).


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  1. Chan D W, Sell S. Tumor Markers. In: Burtis C A, Ashwood E R, eds. Tietz Textbook of Clinical Chemistry. W B Saunders Comp, 1994:897-925.
  2. Jacobs D S et al. Laboratory Test Handbook. Lexi-Comp Inc, 1994:152-6.
  3. Hebreman R B. Cancer Immunology In: Rose N R, Macario E C,. Fahiey J L, Friedman H, Penn M G, eds. Manual of Clinical Laboratory Immunology. American Society for Microbiology, 1992:789-916.
  4. Touitou Y, Darbois Y, Bogdan A, Auzeby A, Keusseoglou S. Tumor marker antigen during menses and pregnancy. Br J Cancer 1989; 60:419-20.
  5. Touitou Y, Bogdan A. Tumor marker in non malignant diseases. Eur J Cancer Clin Oncol. 1988; 24(7):1083-91.
  6. Novakvic S, Sersa G, Krosl G, Plesnicar S. CEA, MCA e CA 125 tumor markers in pregnant women. Radiol Iugusl 1990; 24:79-84.
  7. Ellis L M, Bland K I. Acompanhamento da paciente com câncer de mama. In: Bland K I, Copeland III E M, eds. A Mama. Ed. Manole, 1994:1137.
  8. Hayes D F, Tondini C, Kufe D W. Clinical applications of CA 15-3. In: Sell S, Serological cancer markers. Ed Totwa, NJ, The Humana Press 1992:281-307.
  9. Kallioniemi O P, Oksa H, Aaran R K, Hietanen T, Lehtinen M, Koivula T. Serum CA 15-3 assay in the diagnosis and follow-up of breast cancer. Br J Cancer 1988;58:213-5.
  10. Geraghty J G, Coveney E C, Sherry F, O'Higgins N J, Duffy M J. CA 15-3 in pacients with locoregional and metastatic breast carcinoma. Cancer 1992; 70(12):2831-4.
  11. Guedes Neto E P, Monteggia P, Fuhrmeister F, Basso A, Siqueira D P. Avanços médicos: marcadores tumorais versus câncer de mama. Rev Bras Cancerol 1995;41(1):39-42.
  12. Colomer R et al. Circulating CA 15-3 levels in the pos surgical follow-up of breast cancer pacients and in non malignant diseases. Breast Cancer Res Treat 1989;13:123-33.
  13. Eskelinen M, Tikanoja S, Collan Y. A new tumor marker MCA in breast cancer diagnosis. Anticancer Res 1988; 8:665-8.
  14. Jacobs I, Bast Jr R C. The Ca 125 tumour-associated antigen: a review of the literature. Hum Reprod 1989;4(1):1-12.
  15. Jacobs I J. M. D. Thesis, London University, United Kingdom, 1991.
  16. Jacobs I J, Rivera H, Oram D H, Bast Jr R C. Differential diagnosis of ovarian cancer with tumour markers CA 125, CA 15-3 and TAG 72-3. Br J Obstet Gynaecol 1993;100:1120-4.
  17. Barbieri R L, Niloff J M, Bast Jr R C, Schaetzl E, Kistner R W, Knapp R C. Elevated serum concentrations of CA 125 in pacients with advanced endometrrosis. Fertil Steril 1986; 45(5):630-4.
  18. Rosman M et al. Prognostic indicators for poor risk epithelial ovarian carcinoma. Cancer 1994;74(4):1323-8.
  19. Rose P G, Sommers R M, Reale F R, Hunter R E, Fournier L, Nelson B E. Serial serum CA 125 measurements for evaluation of recurrence in pacients with endometrial carcinoma. Obstet Gynecol 1994;1:12-6.
  20. Hogberg T, Kagedal B. Long term follow-up of ovarian cancer with monthly determinations of serum CA 125. Gynecol Oncol 1992; 46(2):191-8.
  21. Einhorn N et al. Preoperative evaluation of serum CA 125 level in pacients with primary epithelial ovarian cancer. Obstet Gynecol 1986;67:414-6.
  22. Del Maschio A et al. Pancreatic cancer versus chronic pancreatitis: diagnosis with CA 19-9 assessment, US, CT and CT-guided fine-needle biopsy.Radiology 1991;178:95-9.
  23. Lundin J, Roberts P J, Kuusela P, Haglund C. The prognostic value of preopertive serum levels of CA 19-9 and CEA in pacients with pancreatic cancer. Br J Cancer 1994;69:515-9.
  24. Malesci A. Determinaton of CA 19-9 antigen in serum and pancreatic juice for differential diagnosis of pancreatic adenocarcinoma from chronic pancreatitis. Gastroenterology 1987;92:60-7.
  25. Sakamoto K. Comparative effetiveness of the tumour diagnostics CA 19-9, CA 125 and CEA in pacients with diseases of the
  26. Piantino P et al. CA 19-9 assay in differential diagnosis of pancreatic carcinoma from inflamatory pancreatic diseases. Am J Gastroenterology 1986; 81(6):436-9.
  27. Safi F, Roscher R, Baczako K, Beger H G. Immunohistochemical finding with CA 19-9 in pancreatic cancer and chronic pancreatitis. J Tumor Marker Oncol 1987; 2(3):195-200.